domingo, 8 de janeiro de 2012
Antônio
Todo ano novo Antônio repetia o mesmo ritual; ficava em casa com a família até às 23 horas, então, comia três caroços de Romã, jogava três pela janela e guardava outros três em sua carteira, em seguida pegava um cacho de uva descia até a praia, chegando à mesma, esperava a virada comendo todas as uvas e jogando seus caroços no mar, quando, por fim, acontecia a virada, assistia os fogos de artifício e depois pulava sete ondas de costas.
Não houve um ano que esse ritual não acontecia, nenhum mesmo.
Nem mesmo, certa vez, quando Antônio acordou no dia 31 com certo incômodo intestinal, mas nada que preocupasse. Acreditava ser algo passageiro. O resto daquele dia passou, chegou a tarde e o mal estar só piorava. Decidiu por fim tomar algum remédio para dor. Precisava sobreviver até a virada, somente até a virada.
Quanto mais se aproximavam os onze badalos da noite, mas aumentava o rebuliço no estômago de Antônio. Esse decidiu que era hora de comer suas romãs e rezar por forças para aguentar.
Entretanto o rebuliço em seu estômago era deveras forte, e assim, ele decidiu ver o que acontecia. O mesmo relatou depois a nossa equipe; “Você pensa que é só um peidinho... mas quando percebe, é tarde...”
Estando a cagada feita, Antônio decidiu prosseguir com seu ritual. Cacho de uva, caroço no mar, fogos de artifício, pulinho... quando novamente o rebuliço volta. Antônio dessa vez não se preocupou, pois desde cedo havia aprendido; “O que é um peido pra quem tá cagado?” E ali, pulando as ondas nos primeiros minutos do novo ano, liberou.
Dessa forma Antônio abriu seu ano com chave de merda, mas sem quebrar o ritual, nenhuma vez.
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